Tinha, na altura, 14 anos. Porque um professor tinha feito gazeta a dar aula, regressara mais cedo que o previsto a casa. Era Inverno, um Inverno frio e molhado. Segundo me recordo, apesar de pouco passar das 5 horas da tarde a noite estendia já o seu negro manto sobre a pequena cidade de província onde vivia. Os meus pais só deveriam chegar por volta das 7 horas, o meu irmão estava fora, em Coimbra, onde dava os primeiros passos no curso de medicina. Acendi a lareira, coloquei um filme no leitor de vídeo e preparava-me para sornar defronte do televisor quando tocou a campainha da porta. Hesitei. Pensei em não abrir. Mas a campainha soou de novo, insistente, impaciente. A curiosidade venceu. Levantei-me do cadeirão onde depositara o canastro e desloquei-me até à porta da entrada. Abri-a. Do lado de fora, sorridente, disfarçando a pouca surpresa com que deparara comigo do lado de dentro da casa - soube-o depois, estava a Daniela (nome fictício, claro), irmã mais nova do meu pai, minha tia.Ela entrou, como era costume, sem pedir licença ou esperar ser convidada a fazê-lo. Viu que a lareira estava acesa e pelo que o aparelho de TV difundia deduziu que eu estivesse a ver um filme. Sentou-se num canapé bem na minha frente. A Daniela - sempre a tratei pelo nome próprio pese a diferença de idades entre nós (ela deveria andar pelos trinta e poucos) e ser minha tia - era visita frequente lá de casa. Depois de trocarmos simples palavras de circunstância do tipo 'tão cedo em casa, Miguel?' e 'sim, tive um furo', quedámo-nos silenciosos olhando a TV durante largos minutos. Repentinamente, ela levantou-se e colocou-se de joelhos junto a mim acariciando-me o rosto com uma das suas suaves mãos. Perante o meu olhar dividido entre a estupefacção e a curiosidade pelo que motivaria semelhante atitude, beijou-me. Mas não foi um simples beijo afectuoso, um beijo de tia para sobrinho. Foi um beijo nos lábios, quente, molhado, arrebatador. Senti que quase desmaiava de emoção. Mas desejei muito que ela não parasse, que ela continuasse a esfregar os seus lábios carnudos e escaldantes nos meus. Confesso também que não sei muito bem o que se passou em seguida. Isto até ao momento em que estava já de pé de calças e cuecas, bem surradas pelo muito uso, pelos joelhos. A Daniela deitara-se na carpete em frente à lareira e pude vê-la levantar até à cintura a saia comprida que vestia naquele dia, sem a despir, e despojar-se das cuequinhas brancas que deixaram a nu a mais linda pachachinha que eu tinha visto até então (na verdade não tinha visto assim tantas, reconheço). E ali estava ela: uma coninha rodeada de cabelinhos pretos e muito bem encaracolados. Como se tivessem sido penteados e enrolados cuidadosamente. Fiquei como que desvairado, enlouquecido. Meu Deus, eu tinha na minha frente uma cona. Uma cona de mulher, não uma vagina de menina da minha idade. Uma cona que se abria sob o meu corpo, imponente, resplandecente, implorando pela minha visita. Carinhosamente, a Daniela foi-me guiando os passos trémulos até à minha entrada no paraíso. Quando a penetrei senti-me o dono do mundo, feliz, um homem de corpo inteiro. Graças ao Deus do amor, acredito, tive suficiente discernimento para passar as minhas mãos pelas suas lindas pernas e sentir as formas deliciosas do seu rabinho de fazer perder a cabeça a um santo. E ainda hoje recordo, não sem alguma perturbação, os seus lábios quentes nas minhas orelhas, falando-me, sussurrando-me palavras de desejo.E foi assim que este vosso humilde amigo perdeu a virgindade e, de um modo sublime, entrou no maravilhoso mundo do sexo. E a Daniela, perguntarão vocês. Que terá sido feito da Daniela, da querida Daniela? A Daniela casou dois anos mais tarde com um engenheiro americano a trabalhar em Portugal, contratado pela EDP ao abrigo de um qualquer acordo de cooperação para o desenvolvimento de energias alternativas no nosso país. Vive hoje algures no Massachusetts onde é professora de Biologia vindo muito raramente a Portugal. Tem também dois filhos, meus primos, que devem andar pela idade que eu tinha quando ela me abriu voluptuosamente, docemente, as portas do éden. E não, nunca mais repetimos a experiência, pese os meus sofridos e desesperados intentos. Mas a Daniela, a minha tia Daniela, é e fará sempre parte importante do meu álbum de memórias mais queridas.