quinta-feira, dezembro 02, 2004

Filosofia do Quotidiano (2): Sexo entre Marido e Mulher

Apesar de ter pouco mais de quarenta anos, A., um amigo meu, está casado há já mais de vinte. Ninguém lhe pergunte como é que ele consegue, mas são conhecidos os seus casos extraconjugais que chegam a suceder-se várias vezes numa semana e sempre com mulheres diferentes. Intrigado, o Francisco perguntou-lhe um dia como é que ele arranjava tempo, no meio de tanto frenesim sexual, para ter relações com a mulher. Ao que A. respondeu, desassombrado, que a mulher é família e a família não se fode.

Cientista Alentejana

Em tempos tive uma namorada que para vós designarei de Berta. Alentejana, de Évora. Tinha o sotaque tí­pico da sua região e os lábios mais lindos que tinha tido oportunidade de beijar. A Berta era, na altura, uma miúda de uma juvenilidade irreverente e desmedida. Tinha os cabelos castanhos, os olhos verdes e um modo de se movimentar único, desviante. A Berta era (ainda deve ser) uma daquelas mulheres para quem se olha e logo se tem uma vontade irresistível de foder. Disse bem, foder. Fazer amor é outra coisa. Requer mais calma, talvez mais carinho, uma muito dedicada atenção aos pormenores. Foder não. Foder é chegar, ver e vencer. É despirmo-nos com sofreguidão, rasgar as cuequinhas dela, beijar, morder-lhe os lábios, enfiá-lo bem duro e cavalgar-lhe vorazmente, desesperadamente, a cona. A Berta tinha um fetiche que, pela mão dela, quase me viciava em algo que abandonara (não totalmente, claro) desde a adolescência. Pedia para que me deitasse nu de barriga para cima enquanto ela se deitava com a cabeça depositada no meu peito olhando para baixo, bem na direcção dos meus órgãos sexuais. Adorava pegar-me na pila e, com um ritmo que me deixava louco da vida, masturbar-me. Por vezes, durante esta função, gostava de lamber de entremeio e de se sentar sobre mim comigo dentro de si. Mas sempre desconfiei que este seu ritual mais não servia que para tornar a excitação maior e poder observar ejaculações que quanto maiores fossem também maior era o prazer que lhe davam. E observava tudo tão pormenorizadamente que sempre achei que ela poderia ter sido cientista. E no fundo era. Uma cientista da punheta, claro. Mas fodê-la, sentir-me enleado pelos seus lábios vaginais, era, em paralelo, uma experiência com conclusão de sonho.

Nome de Código: Sofia

Hoje estive com ela. Conheci a Sofia (nome fictí­cio, porque o nome é o que menos vos importa) há quatro anos. Ela era finalista do curso de Inglês, via ensino, e eu escrevia, na altura, para uma publicação dedicada às artes. Numa crí­tica que fiz a determinado evento, a Sofia não gostou e escreveu-me um e-mail de protesto (a referida publicação tem o hábito de disponibilizar os endereços electrónicos dos seus colaboradores). Normalmente não respondo a e-mails que questionem a subjectividade das minhas opiniões, mas o seu texto estava tão bem suportado por elementos de valia técnica em referência à arte em questão e era tão correcto na forma como explanava as suas discordâncias que decidi retorquir. E esse foi apenas o início de uma troca de correspondência que se acentuou cada vez mais e acabou mesmo por assumir contornos mais íntimos. A Sofia estudava no Porto e eu estava em Lisboa. Encontrámo-nos pela primeira vez quando me desloquei ao Porto, em trabalho, e necessitei de por lá pernoitar. Marcámos encontro num conhecido café da Boavista, junto ao meu hotel, na intenção de sairmos dali para jantarmos juntos. Quando a olhei fiquei espantado (e aliviado, confesso) com a sua beleza. Ela não é aquilo que se pode designar de uma mulher muito alta, terá até pouco mais de um metro e sessenta e cinco, e usava, na altura, os cabelos pelo ombro prendendo-os com uma fita. Mas se eu já antes me sentia atraí­do pela sua inteligência, rapidamente me senti perdido de desejo por aquele corpo esbelto mas bem preenchido nos sí­tios de maior interesse fí­sico para o homem e por aquela carinha fascinante a fazer lembrar o estilo de modelos femininos da Vogue.Tenho que declarar que o nervosismo do encontro inicial, nervosismo de ambos, se prolongou até ao jantar onde não conseguimos comer praticamente nada dos pratos que haví­amos encomendado. Mas, quando pedimos o café, eu estava longe de imaginar que a noite ainda mal começara para ambos.Quando nos preparávamos para nos despedir, sem que eu tivesse coragem de lhe dizer na cara o que já tantas vezes lhe insinuara nas nossas trocas de e-mails, a Sofia quis ler uma crí­tica minha de que faláramos durante o jantar e eu guardava em CD. E subimos até ao meu quarto. Os dois. Quando ela entrou e a porta se fechou atrás de si, senti que tinha que abraçar e beijar aquela mulher que me tirara o apetite para o jantar e com quem eu trocava cumplicidades por e-mail ia para vários meses. Mas, por simples cobardia ou por receio de estragar uma relação que, pese os seus contornos, se supunha até então de mera amizade, não fiz nada. Liguei o portátil e coloquei o CD com o texto que a trouxera ao meu quarto. O quarto tinha duas camas e a Sofia deitara-se sobre uma delas. Estávamos em Janeiro e ela, que tinha entretanto despido o casaco castanho de pele que a protegia do frio da rua, mostrava o lindo vestido de lã que envergava, colado ao corpo, e ainda a tornava mais irresistí­vel aos meus olhos. Senti-me incapaz de me conter. Desloquei-me para o seu lado sentando-me na beira da cama. Debrucei-me vagarosamente sobre ela. Para a beijar. Sofia respondeu ao meu beijo com um ardor tal que me fez perder as dúvidas que me consumiam até àquele momento. Também ela se encontrava consumida de desejo. Por mim. Deitei-me sobre o seu corpo palpitante e acariciei-a entre as pernas, por debaixo do vestido. Sofia tinha igualmente vestidos uns collants de lã. Despi-lhos até um pouco menos que o meio das pernas e um pouco abaixo dos joelhos. Baixei-lhe as cuecas. Deixei-as ao mesmo nível dos collants e despi as minhas calças. Sofia não dizia palavra, limitava-se a olhar-me com aqueles olhos grandes e apaixonados, trincando o lábio inferior talvez para melhor reprimir o desejo ansiando pelo heróico momento de encontro entre os nossos dois sexos. Esfreguei o meu corpo no seu, beijei-lhe os lábios, a boca, o rosto, o pescoço. Passei a minha mão pela sua vagina e senti-lhe o calor, a humidade que revelava o seu estado de arrebatamento. Não aguentei mais e alojei-me dentro de si, dei-lhe o meu pénis até aos limites da exaustão. Ela recebeu-me no seu interior de um modo que me levou a um dos mais deliciosos orgasmos que até hoje me atravessaram o corpo. Foi como se aquele momento significasse uma qualquer libertação há muito desejada.Hoje estive com a Sofia. E falámos daquela noite de loucura de que vos contei apenas o inebriante começo. A Sofia está a cada dia mais linda. Mudou-se para Paço de Arcos e dá aulas de inglês num colégio da linha do Estoril. E eu adoro cada momento passado na sua presença.

Monstruosidades do Nosso Tempo (1): a Pedofilia

Li há dias no Público que um juiz dinamarquês está a ser julgado por tráfico de fotografias e filmes pornográficos com crianças como protagonistas. Ainda incluída na notícia, vem a confissão daquele magistrado que refere ser um obcecado pelo material citado. Sejamos claros: a pedofilia é um dos crimes mais hediondos que existem atingindo mesmo, não apenas por vezes mas sempre, dimensões trágicas. A sua prática merece, portanto, severo castigo da sociedade quanto aos seus que a praticam. E se se deve destaque ao envolvimento de alguém que é a todos os títulos um depositário da autoridade judicial, alguém que deveria merecer a nossa total confiança, não nos podemos esquecer que este flagelo ataca em todas as profissões. É pois nossa obrigação estarmos atentos a tão lamentável fenómeno.

Beleza no Feminino

Para mim uma mulher não tem que ser necessariamente linda. Explicando melhor: existem mulheres universalmente aceites como belíssimas. Mas estas sofrem daquilo que eu considero um problema: a sua beleza está algo padronizada. E está ali à nossa frente, totalmente aberta ao nosso olhar mas sem nada por descobrir. E o que maior prazer me dá é isso mesmo. Poder descobrir aspectos da beleza de uma mulher que não vislumbramos ao primeiro olhar. Quem não sente uma excitação especial por perceber que uns olhos tristes podem esconder uma alma enorme e uma vagina calorosa sedenta por travar afectuosas relações com o sexo oposto? Surpreender-se com os cabelinhos bem cuidados que umas cuequinhas branquinhas escondem e com a sagacidade de uma vulva que desde logo percebe quais os movimentos capazes de, num par ou dois de minutos, levarem ao tapete o pénis que tão sofregamente a invade!? Mas não pensem que partilhar uma cama é só sexo. Não. Gosto de trocar ilustrativos olhares com as mulheres que comigo se deitam. Sentir vivacidade no seu raciocínio. Perceber que têm opinião e que questionam a minha própria visão do mundo. Mas que, no final, é nos prazeres do sexo (não obrigatoriamente mas de preferência com amor; no entanto, sempre, sempre, com bastante cumplicidade entre os dois amantes) que reside o elixir desta vida.

Filosofia do Quotidiano (1): Definição de Amante

Tenho um amigo, divorciado, que conheceu uma advogada com quem tem regularmente relações sexuais. O curioso da questão é que, tanto ele como ela, assumem perfeitamente que o motivo porque se tornaram amantes é, única e exclusivamente, a troca de favores sexuais. Não há amor na relação de ambos, não existem compromissos entre os dois. Imaginemos que ela se chama Paula e, sempre que alguém lhe pergunta a ele quem é afinal essa Paula, ele logo responde tranquilamente que a Paula é simplesmente uma amiga que faz o favor de dar umas fodas consigo.

Memórias da Adolescência (1)

Tinha, na altura, 14 anos. Porque um professor tinha feito gazeta a dar aula, regressara mais cedo que o previsto a casa. Era Inverno, um Inverno frio e molhado. Segundo me recordo, apesar de pouco passar das 5 horas da tarde a noite estendia já o seu negro manto sobre a pequena cidade de província onde vivia. Os meus pais só deveriam chegar por volta das 7 horas, o meu irmão estava fora, em Coimbra, onde dava os primeiros passos no curso de medicina. Acendi a lareira, coloquei um filme no leitor de vídeo e preparava-me para sornar defronte do televisor quando tocou a campainha da porta. Hesitei. Pensei em não abrir. Mas a campainha soou de novo, insistente, impaciente. A curiosidade venceu. Levantei-me do cadeirão onde depositara o canastro e desloquei-me até à porta da entrada. Abri-a. Do lado de fora, sorridente, disfarçando a pouca surpresa com que deparara comigo do lado de dentro da casa - soube-o depois, estava a Daniela (nome fictício, claro), irmã mais nova do meu pai, minha tia.Ela entrou, como era costume, sem pedir licença ou esperar ser convidada a fazê-lo. Viu que a lareira estava acesa e pelo que o aparelho de TV difundia deduziu que eu estivesse a ver um filme. Sentou-se num canapé bem na minha frente. A Daniela - sempre a tratei pelo nome próprio pese a diferença de idades entre nós (ela deveria andar pelos trinta e poucos) e ser minha tia - era visita frequente lá de casa. Depois de trocarmos simples palavras de circunstância do tipo 'tão cedo em casa, Miguel?' e 'sim, tive um furo', quedámo-nos silenciosos olhando a TV durante largos minutos. Repentinamente, ela levantou-se e colocou-se de joelhos junto a mim acariciando-me o rosto com uma das suas suaves mãos. Perante o meu olhar dividido entre a estupefacção e a curiosidade pelo que motivaria semelhante atitude, beijou-me. Mas não foi um simples beijo afectuoso, um beijo de tia para sobrinho. Foi um beijo nos lábios, quente, molhado, arrebatador. Senti que quase desmaiava de emoção. Mas desejei muito que ela não parasse, que ela continuasse a esfregar os seus lábios carnudos e escaldantes nos meus. Confesso também que não sei muito bem o que se passou em seguida. Isto até ao momento em que estava já de pé de calças e cuecas, bem surradas pelo muito uso, pelos joelhos. A Daniela deitara-se na carpete em frente à lareira e pude vê-la levantar até à cintura a saia comprida que vestia naquele dia, sem a despir, e despojar-se das cuequinhas brancas que deixaram a nu a mais linda pachachinha que eu tinha visto até então (na verdade não tinha visto assim tantas, reconheço). E ali estava ela: uma coninha rodeada de cabelinhos pretos e muito bem encaracolados. Como se tivessem sido penteados e enrolados cuidadosamente. Fiquei como que desvairado, enlouquecido. Meu Deus, eu tinha na minha frente uma cona. Uma cona de mulher, não uma vagina de menina da minha idade. Uma cona que se abria sob o meu corpo, imponente, resplandecente, implorando pela minha visita. Carinhosamente, a Daniela foi-me guiando os passos trémulos até à minha entrada no paraí­so. Quando a penetrei senti-me o dono do mundo, feliz, um homem de corpo inteiro. Graças ao Deus do amor, acredito, tive suficiente discernimento para passar as minhas mãos pelas suas lindas pernas e sentir as formas deliciosas do seu rabinho de fazer perder a cabeça a um santo. E ainda hoje recordo, não sem alguma perturbação, os seus lábios quentes nas minhas orelhas, falando-me, sussurrando-me palavras de desejo.E foi assim que este vosso humilde amigo perdeu a virgindade e, de um modo sublime, entrou no maravilhoso mundo do sexo. E a Daniela, perguntarão vocês. Que terá sido feito da Daniela, da querida Daniela? A Daniela casou dois anos mais tarde com um engenheiro americano a trabalhar em Portugal, contratado pela EDP ao abrigo de um qualquer acordo de cooperação para o desenvolvimento de energias alternativas no nosso paí­s. Vive hoje algures no Massachusetts onde é professora de Biologia vindo muito raramente a Portugal. Tem também dois filhos, meus primos, que devem andar pela idade que eu tinha quando ela me abriu voluptuosamente, docemente, as portas do éden. E não, nunca mais repetimos a experiência, pese os meus sofridos e desesperados intentos. Mas a Daniela, a minha tia Daniela, é e fará sempre parte importante do meu álbum de memórias mais queridas.